terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Via Láctea

Date 181008, Log # 3: a partir do filme A Via Láctea

Nossa galáxia, leite derramado pela Madona renascentista na Sainsbury Wing,
braço de espiral num reino tão tão distante do Multiverso sideral,
nossa galáxia, em cuja periferia da periferia roda um Sol e seus nove planetas (ou seriam dez? ou oito? ou 35?),
e em torno desse Sol amarelo nessa periferia da perifeira da Galáxia Via Láctea
gira um planetinha, terceiro na linha de órbitas,
de atmosfera nitrogênio-oxigênio castigada por sulfitos nitritos monóxidos de carbono
e outros detritos,
planeta edênico onde "o inferno são os outros".
Que nada, o Paraíso é Aqui. E os Outros são a Face de Deus, assim como eu também.
Há tantos planetas que são só gases fétidos, frio e solidão...

Nesta galáxia, Via Láctea, Sistema Solar, Planeta Terra,
existe uma cosmópole muito estranha Paulicéia,
onde um homem chamado Heitor procura no outdoor a sua Beatriz,
veterinária que cuida de ovelhinhas perto da Pedra Grande
ao som da Primeira Gnossienne de Satie.

Este homem é tão louco, que pra ir da Santos ao Sumaré pega o carro, em vez do Metrô.
Ele roda roda roda roda e rodopeia no trânsito
como mariposa mórbida de Adoniran,
dando vorta em vorta das lâmpidas dos faróis pra se esquentar.
O final já se sabe, quem não viu o filme vá ver,
e depois me diga se não era perfeitamente previsível.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Salvem oS CorintianOS...

S.O.S. Deu na home news no provedor Y/BR http://www.yahoo.com.br/ agorinha de pouco!
News in the block! Corinthians é o mais novo velho time! O maior, mais antigo etc.
Com seu hino em tom menor "Salvem o Corinthians, campeão dos campeões/ Eternamente presente em nossos corações...", parece que é mais véio e mais meió di bão que os outros.
Segundo consta nos arquivos antigos, é o segundo maior time em torcida no Brasil (fora de sua sede paulistana, portanto). Só perde pro Meeeeennnngo, Meeeennnngo!

O alvinegro paulistano tem torcedores, por exemplo, entre os Tubarões do Posto Nove da Boa Viagem. Meu amigão Gutty está entre eles. Agora não sei se Gutty Alves é Náutico ou Sport, acho que é leãozinho rubronegro, mais pópipopular, afinal a barraca do Eri lá no meio do castelo dos Tubarões do Posto Nove, aponta pro Leãozinho rubronegro...

Eu já decidi. Optei pelo time de meu pai. Dono do hino mais lindo do BRASIL! Me perdoem os babacas do vou pra portoalegre i ciao, do deu pra ti, um Grêmio Astral. Já conhecia o time como sacana e quizirento, mas depois da Tragédia dos Aflitos, também dita Batalha (ou Derrota) dos Aflitos, passei a o-di-á-los. Fizeram quizira com os nervos do maninho que ia cobrar pênalti, aí um juiz muito judiciário botou um, botou dois pra fora do alvirrubro recifense, e aquela barulheira e aquele sol de lascar no paralelo 8, e os fulaninhos do paralelo 30 só de boa sacaneando! Pô, meu, vai pro raio da silibrina que te partiu! Vai pra portoalegre e tchau, perde os campionato mundial! E o pior é que gaúcho é pior que baiano quando quer fazer alarde: cria um docudrama cômico e titula com esse nome ridículo. Só gaúcho sem noção: pior ainda que pernambuco sem noção. Batalha pra quem, cara pálida?

A História é escrita, também, pelos Perdedores. E temos a Trágica Fonte Nova que secou e tem de renascer, qual Fênix, nos próximos 7 anos. Não me pergunte como vai o Candial pq faz anos muitos, cinco, que não passo no SSalvador. Apesar de amá-lo. Sacomé, inventaram um congestionamento de paulista chamado caos aéreo, 30 e tantas horas de estradas péssimas não dá pra encarar...

De volta ao maravilhoso time dos Aflitos. Dito de Elite mas que conquistou todos os matutos frequentadores da Pitombeira nos 60/70. (Papi tinha um macacão branco e escrito em vermelho, Pitombeira dos Quatro Cantos! o Máximo, parecia uma coisa assim pré-Lula em plena ditadurona militar pós-AI-5!)
Como já disse o Paulistano de Olinda AndréLaurentino, que escreve com certa regularidade no Guia dO Estado de S.Paulo (por isso prefiro esse guia ao da Folha)...
O Himno do Náutico trata-se de um himno minimalista do século XIX, um frevomarcha ou frevorrua que só tem seis letras a saber, N=a=u=t=i=c=o. ou melhor cantando,
ene a u tê i cê [ó, pararãpararã! sendo o pararã parararã uma linda corneta ou trompete, como queira. Dificésimo pra tocar, muito mais que o digno e belo porém caído (tom menor...) himno do Coringão. Salvem o Corinthians, campeão dos campeão, virou paródia da banda Os Ratinhos do Senado. Coisa da media pósmoderna. Horribile.

Cantem o himno do Corinthians na Tom Maior pra ver que samba dá. Ou torçam pra Gaviões no fevereiro primeiro de 2008. Quem sabe, leva! Quem não sabe vai pro Rio pra aprender fazer sambaespetáculo com os brincantes do Parintins.
OU então faz como minhamiga Ale, pega um gringo e vai pro carnaval do Recifeolinda ver. Na Pitombeira dos Quatro Cantos, tem que tocar Nauticó, pararãpararã. Como é que é o himno do Sport meesmo!?
Sobre Parintins, vide em lista de desejos o blog http://www.patnamazonia.blogspot.com/. Recomendo mas assim não tem graça. Foi tese de doutorado de uma certa PatPat... no longínquo ano de 2007...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Sumário de estudos

Na Grécia Antiga, conheciam-se as festas de findeano, por dionisia. Também havia o Festival de Pã, aquele que com sua flautinha apavorava as ninfas virgens na floresta. Veio um Vetusto Senhor, para Ser Luz do Mundo, e matou (simbolicamente) Pã. Assim ouviram historiadores vários no ano zero da Era Cristã: O grande deus Pã está morto! Aprendi isso no fundamental curso de História da Civilização ministrado por Nicolau Sevcenko, em 1999. Minha vida acadêmica então se dividiu em a.N, d.N., assim como em 1993, houve a passagem de a.M para d.M (antes e depois de Medina).

Em homenagem a essa passagem na civilização greco-romana-judaico-cristã, toco quase na íntegra o ciclo das Gnossiennes (5 de 6) de Satie (em alusão ao Labirinto de Cnossos).
Arranho ainda as conhecidas 3 Gymnopedies, as danças dos pés descalços das Bacantes, muito bem aproveitadas pela mídia:
Gymno no 1 = Lux Luxo anos 80,
Gymno no2/3 = tema de Zé Maier numa novela, Senhora do Destino, salvo engano. Era época de aproximar Realidades e Ficções no Núcleo de Telenovela, com M.L.Motter. A professora conduzia seminários e leituras desde a filosofia da linguagem (Bakhtin e seus discípulos) à teoria da história oral (Ecléa Bosi tout compris) sem esquecer o judeu Halbwachs, fuzilado pelos nazistas, que nos deixou de testamento sua teoria de memória coletiva.

Bosi, Ecléa, foi outro momento marcante, de releituras e novas descobertas. Tudo história oral e cotidiano/cultura popular dita "folclore". Havia visto Paul Thompson na Graduação mas valeu conhecer o Jovem Marx, fresquinho de idéias fora da vulgata.

Gostei demais de Uma História da Antropologia Brasileira, com a linda sílfide Lilia Schwarcz. Lili discorre sobre os territórios de inquietudes possíveis na zona-de-fronteira antropologia-história. Fala com elegância sem par de Boas, G.Freyre, Sergio Buarque.
Durante os encontros, abolia na boa, até com piada de Daslu e Futebol, os preconceitos iniciais da degenerescência ou mistificação, chegando até a Invenção das Tradições de Eric Hobsbawn regadas por Roberto Schwarz.

Nordestinenses

Com certeza, PauloS-P, pernambucano não tem nenhum senso de noção. Vê só eu! pra salvar, tem a paulistanidade, que no fim impregna de algum jeito sei lá, nem que por alguns momentos de lucidez por baixo da poluição-cerração-garoa ácida. Mordaz sarcasmo à la Brit-pop, total cockney und überverrückt. Wo ist die Ausgang? Mind the gap! Quiero ir a la playa! pero sin trafico aereo!

Por isso mesmo que muito paulista, gaúcho, carioca, ama Pernambuco e, ao mesmo tempo, o turismo lá empacou. A Bahia que nasce estreando desde há muito investe nessa indústria.
O Ceará tem lindas praias e investe pesado em páginas inteiras de Veja. O Estado apresenta paraísos difíceis de acessar (até mesmo a praia do Futuro fica a 30 km do centro de Fortaleza! mas é onda que quebra e vento que bate e um mar virado e nada de baque virado no maracatu. Ah, tem aquela babaquice de Beach Park, pra criança besta ver. Melhor ir aqui em Jundiaí).

Foi engraçado qdo Herr TTünn. chegou em Fortaleza. Ficou decepcionado com o centro horroroso de Fortaleza, quase sem nenhum Patrimônio Histórico com apenas o belo Teatro José de Alencar e o excelente Centro Cultural Dragão do Mar - projeto de museologia pioneiro. De resto é feirinha pra inglês-sampaulista-carioca e genéricos afins verem (e comprarem, craro).

Cadê a arquitetura, perguntava Mr Tünn? Oras bolas, o que foi Fortaleza até transantontem? E hoje, Fortaleza não é Brasília nem São Paulo. Mas sabe vender muito bem seu peixe - muitas vezes de forma vil, com o turismo sexual. Os Tubarões da Boa Viagem afugentaram os babacas germânicos do Puteiro Cinco Estrelas Recife-Palace. E aí só ficaram Rios, Points e Overdrives. Toda vez q passo o Viaduto p/Agamenon Magalhães, atual Viaduto Chico Science, reverencio nosso "genio".

O simpático e lindo Rio Grande do Norte tá na frente em gestão de turismo, também talvez por causa da política pública do PSB. Muda a cega-muda-surda Visão de turista... Mas é fato que no museu do Câmara Cascudo as guias-mirins fazem parte de um projeto de erradicação do turismo sexual. Nos estados vizinhos, não há nada parecido.

Talvez PE comece, já que agora tem o Eduardo Campos (PSB) no Campo das Princesas, Praça da República, Ilha de São José (NO Recife). Tomara, porque a megamamelucomania tá muito fora de si. Pernambucano não tem senso de noção. Sua cultura popular é fenomenal coisa e tal, e as praias, Noronha, Maracaípe e os Carneiros – a especulação européia já tá plantando lançamentos de resorts onde antes havia nada além de coqueiros, dizem à boca grande das revistas de turismo. Mas o atraso de vida que é o machismo, minha gente, é de furufunfê pra outra coisa num dizer. E a pulítica precisa por demais atravessar o paternalismo, o cabresto eleitoral e tudo o mais. Pralguma coisa o exemplo sampaulistano e sulista no geral há de valer. Ou se não, mesmo os vizinhos potiguares. Me informo do estado das coisas sob mr. Campos dos Campos das Princesas, quando voltar pro meu Recife, tomar umas e outras águas de côco ali no posto do Clube dos Rapazes Inocentes - os vovôs que andam sete quilômetros toda manhã depois fazem hidromassagem na vazante do recife em frente à Ribeiro de Brito, e comentam jocosos "hoje o tubarão tirou folga!" Quero ver os rapazes inocentes encararem a água quente do Recife numa lua cheia de maré cheia. Isso aqui, a louca cá experimentou fazer, mas qdo viu que a corrente puxava loucamente pro "furo" de entrada dos tubarões na frente do Acaiaca, puxou braçadas vorazes com snap na diagonal da corrente e saiu o mais rápido que pôde. Nunca mais faço isso. Agora só banho com os Rapazes Inocentes. Nem tubarão de areia tô querendo... hehehehe! Tubarão de areia é gavião, e a mocinha aqui já passou dos trinta... Conheço por demais os mocinhos pernambucanos, bons pra dançar forró mas no geral num prestam pra casar. Tirando meu digníssimo pai, meu falecido vovô Bio e meus tios, evidentemente (quer dizer, isso que o digam suas respectivas esposas (hihihi)

Adioos amigos, hasta la vista!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Rhea maiz

Eis o nome científico da irmã de Zea mays. Assim me chamo, Rhea como minha mãe cósmica (da cosmogonia greco-romana terráquea), maíz como se diz do milho em espanhol, corn, enfim, Zea mays para os botânicos. Do milho se faz açúcar e se quer fazer combustível num país chamado então a República dos Estados Unidos da América do Norte, governado por um certo cidadão de nome George W, isto no início do milênio três da era cristã, terráquea. Mas isto foi muito antes da Guerra dos Mundos e das Jornadas nas Estrelas e suas respectivas guerras imperialistas. Sim, porque é tudo questão de escala, passou a geopolítica do planisfério projeção de Peters para os mapas astrológicos mais recentes de cada época em questão.

Agora no século 23, as coisas vão bem mal no Planeta Terra. Por isso me refugiei aqui, na Biosfera II da Colônia de Água de Köln, fundada por antigos navegadores estelares portugueses. Suas mulheres fãs de água de colônia deram esse nome patético à colônia da água de Colônia, Alemanha. Este país, outrora Germânia, foi devastado por uma catástrofe glacial. Todos os lindos lagos viraram uma só camada desértica. Acabou-se a Floresta negra, ela é só cinzas. O mar do Norte avançou para o Sul. E o calor tornou-se insuportável na antiga Berlim, hoje Neoalexpotsdamerstadt. Cidade construída por arquitetos da linha neopósecléticontemporânea, seja lá que raios isto signifique. Só tenho a dizer que os pós-modernos Renzo Piano e I.M. Pei são belezas clássicas perto dessas bagunças kitsch que esses caras fazem hoje. Que saudade de Potsdamerplatz, faço minhas as palavras daquele certo velhinho no areal de um filme intitulado Der Himmel über Berlim, realizador W.Wenders.
Isto ainda no longínquo ano de 1985 d.C, como percebem
, uso as datações ocidentais clássicas do Planeta Terra. Força do hábito, não me acostumei com essas datas estelares malucas, que exigem uns reloginhos estranhos cheios de botões que não sei manipular. E essa conexão intergaláctica?! Pulsos ou nanosegundos-por ano luz, na dimensão espaço-temporal, como escolher?! Deixem-me em paz, vendilhões de serviços conectivos, com suas propostas indecorosas. Parecem aqueles garanhões das antigas, só que estes não querem me beijar, e sim sugar meu "cofrinho" de moedas virtuais, meu talão de créditos mensais.
Ora me deixem em paz, me deixem sonhar, me deixem sofrer de saudades do meu planetinha que um dia foi bom. Sim, aquilo era o Éden e não sabíamos. Humanos de plantão, peçamos desculpas à Nave Mãe Terra por tudo o de mal que conosco e conjuntamente, a ela, fizemos. Sim, hoje é dia de pedir perdão, e amanhã, dia de fazer a paz.
Escrito por Rhea em 14.03, ano sete, século XXIII, parâmetro Terra.
(Uma semana antes do Equinócio Solar).