sábado, 5 de janeiro de 2008

Um outro mundo é possível?

A pergunta, já velha no final da primeira década do terceiro milênio, ou meados da terceira, se se entender com Hobsbawn o início do terceiro milênio a queda do Muro de Berlim, deixa respostas sempre em aberto.

Físicos, matemáticos, místicos e pensadores amarelam de saber que sim, inúmeros outros mundos são possíveis - e mais, já existem neste exato momento como existiram sempre.
Portanto a pergunta que acalora ânimos de jovens de todas as idades é: um "outro mundo", alternativo ao atual sistema capitalista pós-industrial, válido em todo o planeta Terra a um só tempo majoritariamente, é possível?
Ousaria dizer que não. Talvez ainda não, não sei. Li ontem um velho e datado (mas refrescante) ensaio de Umberto Eco sobre o terrorismo das Brigadas Vermelhas italianas. A máxima do Sistema se aplica a qualquer sistema terrorista, ainda hoje. Afinal, aquela época era também o dito capitalismo pós-industrial.

Talvez alguns fanáticos por web digam, esta era é a do capitalismo digital. Who knows? Vimos na película mais recente de mr. Bourne, a passada na tevê meses atrás, algumas das possibilidades de burlar à lei de Gerson este capitalismo, em high-society style.
A tevê digital está ancorada em arco-íris numa torre da Alameda Santos entre Joaquim e Brigadeiro. Para quem será ela? Para quem se dispuser a pagar 900 reais, e não os 120 prometidos pelo governo, para instalar a antena de recepção. Tudo isto para ver mais cores, mais linhas, mais relevos, enfim uma fotografia mais bonita, como explica pacientemente o atendente da Fnac Paulista. Os modelos full HD começam em 4 mil reais, os piccolini de 14 polegadas.
Agora pra quê isto se tenho uma tevê de 14 polegadas analógica com antena comunitária? Ora, vou pra tela de 21 acoplada a um teclado pra viajar um pouquinho no básico da net e assisto ao cinema, na rua. É o que faz Herr Wenders lá nos States e o que fazem todas as pessoas que não necessitam estar em casa vendo DVDs.

2 comentários:

Lu disse...

Concordo, Pat.

Aliás, você viu no informativo Capes que a agência acabou de abrir uma linha de financiamento específica para projetos que envolvam TV Digital? Sem mais comentários...

PatPat disse...

Tks pelos comments. Oras, girl, façamos um tal projeto (rsrs).
Brincadeirinha, tirei dez no trabalho de Videojornalismo mas era o tempo do ronconcon, digo, das ilhas analógicas.
Agora as ilhas são digito-dialógicas. Mudou a tecnologia, mas a base do fazer/receber é o "livre pensar" e sério-editar.
Ou seja, tudo na merma.