sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Carochinhas financeiras

Cá no reino do patropi, comemora-se em manchete uma posição inédita em nossa história econômico-financeira: o Brasil entra no azul com uma "laminha" de 4 bilhões, vira "credor internacional".
Para surpreender mais o nosso conto de festivo imaginário, o fato se dá sob a presidência daquele a quem os ricos temiam, em 1989. Pois se eleito ia trazer pobres lacaios pra dentro dos castelos dos novo-ricos urbanos. Nada como a passagem das décadas. Lula da Silva "rezou a cartilha" dos credores internacionais e botou a equipe econômica pra fazer a lição de casa como mandou a Madrasta. Graças à varinha de condão de uma ortodoxa política econômica e a ação de palavrinhas mágicas como câmbio flutuante, responsabilidade fiscal etc e tal. temos esse resultado, mais virtual que real. Os números impressionam, mas e a vida do povo? O dinamismo da produção como vai? De todos modos, a notícia deixa um gostinho de vitória, oferece uma chance pra deixarmos coletivamente o complexo de Borralheira que tanto subsiste em nós brasileiros. Mas não dá, mesmo, pra proclamarmos um inocente ufanismo de patriotada. Não tem fada-madrinha, nem príncipe no cavalo branco pra virarmos uma Cinderela na ciranda das finanças internacionais. Se acontece, vai até a meia-noite só! E depois, temos que, com abóboras e ratinhos, erguer a cabeça e borralheiramente batalhar por uma soberania possível, e viável.

Enquanto isso, lá no Velho Continente que nos deu as clássicas histórias de carochinha, bem no Mitte Europas tá um barulho danado por causa da descoberta dos novos paraísos fiscais dos velhos-ricos do velho mundo: Lichtenstein, capital Vaduz, é o reino dos ricos (Reich des Reichen, no original, fica melhor). Pelo menos 2500 correntistas alemães escondem seu tutu por lá. Deu no Der Spiegel hoje: as investigações estão levando a mais um destino de evasão fiscal, Rostock, lá pra banda do Mar do Norte. Mas isto só é digno de reportagem na Europa Central, aqui pra nossa imprensa há outras notícias mais importantes do que contar a roubalheira dos outros.

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