Não, não vou discutir aquela condenável prática de crueldade à guisa de lazer vista aqui em nossa Terra Brasilis.
E sim chamar a atenção para um recorde (creio, inédito) de recall de 65 mil toneladas de carne bovina, recém-registrado na Califórnia. Deu no Financial Times hoje, chamada principal em Economia Internacional. Boa parte da carne já passou por estômagos norte-americanos, 17 mil toneladas foram para merenda escolar e outros programas federais de alimentação. Segundo a Associated Press, o lote vindo da China de carne congelada foi abatido com crueldade e há suspeita de contaminação por E. coli, Salmonella e "doença da vaca louca".
Enquanto isso, a UE insiste no veto protecionista à carne brasileira. E nosso Ministro de Agricultura dá tiro no pé, faz discurso desfavorável ao país que deve representar, assumindo que é impossível fiscalizar a vacinação contra aftosa em tantas empresas (então por que cadastrar 2 milhares?). Isto já foi devidamente comentado na imprensa brasileira, na semana passada.
Interessante ver a segunda chamada do Financial Times, sobre alta dos grãos, logo abaixo da manchete sobre o megarecall bovino nos EUA. Não trata-se de notícia fresquinha, tampouco, a da alta dos grãos, mas lida em conjunto com o headline, traz um cenário muito claro do cruel e injusto desequilíbrio alimentar neste planeta. Diz o texto: "até julho de 2008, os países pobres pagarão 35% a mais por importações de cereal". O valor, também um recorde, US$ 33,1 bilhões, influi numa redução de compras em 2%.
Antes da primeira globalização, aquela das grandes navegações, cada nação se alimentava daquilo que a terra oferecia. No continente sul-americano, por exemplo, mandioca, milho, quinoa (nos Andes). Mas o colonizador europeu trouxe ao mundo a necessidade pelo trigo, tornando ainda mais dependentes os mais pobres (especialmente no quesito alimentar: africanos e habitantes do sudeste asiático, mas também nós sul-americanos).
Hoje o Egito é um dos maiores importadores de trigo. E o Paquistão, cujo povo deixou de votar por medo de morrer, voltou a necessitar os cartões de racionamento de comida.
Não se trata de banir a carne ou o trigo. Consumidos com moderação, como diziam nossas avós, nada faz mal. Porém, os excessos do fast food baseado no hambúrguer e no pão branco de trigo refinado, adoecem o planeta e os ricos, enquanto os famélicos permanecem à míngua.
Em tempo: meu almoço foi acelga, cenoura, macarrão de trigo integral à bolonhesa (patinho moído). Sexta e sábado, polenta...
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
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2 comentários:
Incompetência pouca é bobagem.
Falando em fome, li uma notícia de que a ONU quer colocar os países pobres para comer insetos, "para ajudar a acabar com a fome".
Embora os insetos sejam alimentos como outros quaisquer, desde que JÁ façam parte do cardápio do país em questão, ninguém ainda me convenceu que é a FALTA de comida que traz a fome. Mas Malthus vive...
procê ver o nível de incompetência. Na própria ONU, resquício de malthusianismo! "Segurança alimentar" é eufemismo pra certa "política econômica" que distribui, injustamente, fome e má-alimentação entre pobres e ricos.
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